ANA LAURA - “Deslizar entre os gêneros sempre aconteceu de maneira muito natural pra mim, muitas vezes só dependia de como eu acordasse no dia. E a experiência ia se tornando cada vez mais parte de mim, na emoção de me explorar, de conhecer minhas personalidades, no me sentir confortável. Acredito que para muitos adolescentes que transgredem a normatividade, existe um processo muito delicado de identificação e isso reflete em vários aspectos do dia a dia. Como o vestuário e a sexualidade, que no meu caso, por muito tempo acreditei estarem relacionados de alguma forma, como se a minha sexualidade, a maneira que eu me visto e até mesmo à qual gênero eu deveria me encaixar tivessem que representar exatamente a mesma coisa.⁣
          Foram grandes amigos e uma busca muito pessoal sobre quem sou, que me ajudaram a entender como é possível desassociar minha identidade visual da minha sexualidade/gênero. Poder abrir meu armário e enxergar a mesma Ana em várias Anas é libertador, e quase cômica a confusão causada.⁣ Minha mãe diz que não sabe como me dar nada de presente, fazendo com que a Hering fosse a única referência dela. Hoje tenho uma coleção de blusas básicas, todas presentes da minha mãe. Todas usadas, em dias com a barriga de fora, em outros até o joelho.”⁣

           A participação total da Ana neste trabalho foi o que nos permitiu estampar a personalidade e a força que representam fielmen-te nossa protagonista. Ela é livre de questões sobre sua sexualidade, tramita entre simbologias femininas e masculinas, ora combinadas, ora completamente imersa em algum dos gêneros. No styling Duda Veríssimo buscou retratar o feminino com maquiagem leve e bucólica e um cabelo despretensioso, perfeitamente executado por Pablo Soares. Na roupa, a proposta foi usar peças de alfaiataria do guarda roupa masculino, itens oversized e primorosos com a blusa de gola alta e o arremate acinturado de um cinto em couro. Peças marcantes de matérias primas carregadas de originalidade, classe e atemporalidade. O pedido da equipe, foi para Ana ser ela mesma na cena, então, ao se olhar no espelho e acender seu cigarro segundos antes dos clicks, ela entregou essa imagem que imprimiu exatamente o esperado, o feminino e o masculino em um híbrido harmonioso, o poder e a sofisticação do autoconhecimento de uma mulher que não tem medo de ser quem é, e se torna uma potência indestrutível capaz de transformar qualquer julgamento, automaticamente em admiração. Texto: Duda Veríssimo

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